FINANCIAL TIMES: SE DILMA FOSSE REMOVIDA, 'OUTRO MEDÍOCRE' A SUBSTITUIRIA, DIZ JORNAL
O jornal britânico Financial
Times publicou nesta segunda-feira, 17, editorial sobre a crise brasileira e a
presidente Dilma Rousseff. A publicação afirma que, apesar dos pedidos de
impeachment, a presidente tende a continuar no cargo porque o Congresso também
está metido em corrupção e resiste "em puxar o gatilho". Além disso,
caso "Dilma seja removida, provavelmente haveria outro político medíocre
para substituí-la". O FT diz que a perda do grau de investimento continua
sendo uma possibilidade real e "não há maneiras óbvias de quebrar o impasse"
na economia.
A edição impressa desta
segunda-feira, 17, do jornal britânico dá bastante destaque ao Brasil. Na
primeira página, a principal foto mostra as manifestações contra o governo
realizadas ontem com o título "Protestos no Brasil colocam mais pressão
sobre Dilma". Nas páginas internas, a publicação tem uma reportagem sobre
as manifestações e, além disso, um editorial sobre a crise brasileira.
"Um esquema de corrupção
alastrado na Petrobras, investigado por procuradores independentes com
admirável vigor, tem revelado quão venais são os políticos brasileiros,
especialmente do Partido dos Trabalhadores", diz o editorial que lembra
que mais de US$ 2 bilhões foram desviados e destaca a atual fraqueza de Dilma.
"Como a senhora Rousseff era presidente do conselho quando muito dessa
corrupção teve lugar, ela pode ser culpada pelo menos de grande
incompetência".
O jornal lembra, porém, que as
investigações sobre a Petrobras não relacionam Dilma Rousseff e não há nenhuma
acusação contra a presidente. O jornal explica que há acusações de desrespeito
às regras de financiamento eleitoral e maquiagem das contas públicas. As duas
acusações poderiam levar a um impeachment, mas tudo isso aconteceu no primeiro
mandato, diz o jornal.
Mesmo que as acusações
prevalecessem sobre o segundo mandato, o FT nota que o apoio do Congresso para
o impedimento não seria fácil. "Os políticos, que também estão envolvidos
em corrupção, estão relutantes em puxar o gatilho. Enquanto isso, o partido de
centro-direita de oposição PSDB está feliz em ver Rousseff sofrendo essa
agonia. O PSDB espera chegar às eleições presidenciais de 2018 com o PT
completamente desacreditado e com um mandato claro para adotar reformas
liberais", diz o editorial.
"Além disso, mesmo que Dilma
seja removida, provavelmente haveria outro político medíocre para substituí-la
e, em seguida, tentar adotar o mesmo de programa de estabilização econômica que
ela está tentando fazer", continua o FT.
Rating e arrogância
O editorial voltou a cobrar
reformas econômicas. O texto diz que a atitude "cada um por si" do
Congresso diante da operação Lava Jato paralisa o andamento das medidas
econômicas encaminhadas pelo governo. Por isso, o editorial diz que "um
rebaixamento do Brasil para o status especulativo continua a ser uma
possibilidade real". "Se isso acontecesse, ainda mais investimento
deixaria o País, e a economia iria piorar ainda. Nesse meio tempo, não há
maneiras óbvias para quebrar o impasse", diz o FT.
Apesar do tom pessimista, o FT
reconhece que "alguma perspectiva é necessária" para avaliar a crise.
"O Brasil está longe de ser um tipo de confusão que existe na Argentina ou
na Venezuela", cita o texto que, apesar da ponderação, acusa o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter "nível espetacular de
arrogância".
"Seis anos trás, Luiz Inácio
Lula da Silva proclamou que ele estava convencido que o Século XXI seria do
Brasil. Ainda faltam 85 anos - então a frase pode se mostrar correta. Antes
disso, no entanto, Lula, que já foi um dos políticos mais populares do mundo,
também pode ser indiciado por acusações de corrupção. Raramente a arrogância
atingiu níveis tão espetaculares".(AE)
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