FHC para Dilma: “Você pensa que é presidente, mas já não é mais”
O ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso fez no Facebook, nesta segunda, o seu pronunciamento mais contundente
sobre a crise por que passa o governo. Para o tucano, Dilma tem um de dois
caminhos: “Se a própria presidente não for capaz do gesto de grandeza (renúncia
ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação
nacional), assistiremos à desarticulação crescente do governo”.
Está certíssimo. Não serei eu a
discordar, até porque devo ter sido a primeira voz na imprensa a defender que
Dilma renunciasse, o que pouparia os brasileiros de muito sofrimento. Se um
eventual governo Temer se mostrar também inviável, lembro que as instituições
brasileiras, felizmente, têm saída também para isso.
FHC abordou um binômio de que tratei aqui no dia 7 de agosto: legalidade e legitimidade.
Disse ele: o “mais significativo das demonstrações, como a de ontem é a
persistência do sentimento popular de que o governo, ‘embora legal, é
ilegítimo’.”
E que se note: considera-se o
governo legal porque legalmente Dilma chegou lá. Mas a esmagadora maioria da
população acha que a legalidade também se foi — tanto é assim que a maioria
acredita que Dilma sabia das falcatruas da Petrobras.
FHC comentou também o boneco
inflável de Lula, caracterizado como presidiário, que apareceu nas
manifestações: “Com a metáfora do boneco vestido de presidiário, a presidente,
mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos
de seu patrono e vai perdendo condições de governar”.
Gentil com a presidente, FHC não
deixa de lhe dar ao menos o benefício da dúvida, mas lembra o que hoje está
mesmo muito claro: Dilma é vista como uma marionete de Lula, e seu governo se
contamina com o desassombro com que se movia aquele senhor dentro e fora do
poder.
FHC sugere que Dilma já não
governa mais e, hoje, vive exclusivamente preocupada com a Lava-Jato. E
sentencia: “Até que algum líder com força moral diga, como o fez Ulysses
Guimarães a Collor: ‘você pensa que é presidente, mas já não é mais’.”
Daí que a renúncia, parece-me,
devesse ser um imperativo moral. (R.Azevedo)
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