Divididos, gregos decidem seu futuro neste domingo
A jovem grega Nicoleta Sopasi, 26, circulava pelo centro de
Atenas neste sábado (4) quando foi parada pela reportagem. Afinal, vai votar
"Oxi" (não) ou "Nai" (sim) no plebiscito deste domingo (5)?
"Não me decidi ainda. Não sei o que vai acontecer seja
qual for o resultado", respondeu Nicoleta, que recebe € 495 por mês como
professora de escola infantil. Mora com o namorado, um DJ, que ganha o mesmo. O
casal vive com € 1.000 e paga € 320 num apartamento de 40 m² de um quarto no
subúrbio.
O plebiscito sobre a negociação com os credores
internacionais parece confuso para os gregos, mas há uma única certeza nas
ruas: seja qual for o resultado, o futuro econômico do país será sombrio.
Se der o "sim", a favor da proposta de socorro
internacional, o governo promete cumprir a vontade da população e selar um
acordo que impõe mais austeridade, ou seja, cortes nas contas de um país que
não consegue se reerguer diante de uma dívida de 177% do PIB.
Editoria de Arte/Folhapress
Se der "não", a Grécia caminha para um rompimento
político de vez com os líderes europeus e os credores, aumentando as chances de
ter de deixar a zona do euro, que hoje reúne 19 países. Ou seja, não há escolha
fácil, o que talvez explique as pesquisas mostrando um empate técnico na
véspera do plebiscito.
A votação é considerada uma das mais importantes na Grécia
desde 1974, quando ocorreu o plebiscito que aboliu a monarquia. Diante da crise e
da restrição de saques, os gregos suspenderam férias, sacaram o que puderam e
estocaram itens básicos.
"Compramos macarrão e arroz para dois meses porque não
sabemos como será daqui para frente", conta a jovem grega. O drama aumenta
porque o dinheiro está acabando nos bancos, fechados desde segunda-feira (29).
O que está em caixa seria suficiente até o meio da semana, a
não ser que o Banco Central Europeu tope aumentar a ajuda emergencial –isso
dependerá, no entanto, do resultado do plebiscito.
A votação terá ainda consequências políticas internas caso o
"sim" vença: eleito em janeiro, o primeiro-ministro Alexis Tsipras,
considerado inábil na condução da crise, será pressionado a deixar o cargo por
líderes da oposição de centro-direita que governaram a Grécia até a vitória do
Syriza, partido de esquerda comandado pelo premiê.
O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, principal
interlocutor nas negociações, já disse que renuncia se perder. Neste sábado
(4), as autoridades gregas negaram reportagem do "Financial Times" de
que o governo estaria preparando um confisco de 30% dos depósitos acima de € 8
mil para evitar um colapso do sistema bancário.(Folha S.Paulo)
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